Entre os vários tipos de diabetes, uma coisa todos tem em comum: eles afetam a vida de quem sofre desta doença. A taxa de incidência na população já se tornou tão grande, que quase de certeza conhecemos alguém que tem a sua vida complicada ou “depende” de injeções com o fim de manter um estilo de vida saudável. O artigo de hoje vai ao encontro disso. Conheça aqui os diferentes tipos da doença, bem como a evitar ou reduzir os danos causados por ela.

O que é a diabetes?

Conheça tudo sobre a diabetes neste artigo
Conheça tudo sobre a diabetes neste artigo

A diabetes é uma doença causada pela falta de produção ou má absorção da insulina. Esta hormona, produzida no pâncreas é responsável por regular os níveis de glicose no sangue, assim como “quebrar” os açucares presentes na corrente sanguínea em energia, a qual é necessária para a manutenção celular. Anualmente, em Portugal, são registados 60 mil a 70 mil novos casos, dos quais a maioria são de diabetes tipo 2, a qual irei falar mais à frente.
Em Portugal, atualmente 13.3% da população está registada como portadora da doença segundo dados do SNS. No caso do nosso “irmão”, o Brasil, 13 milhões de pessoas sofrem com esta doença, representando assim 6.9% da população do país, de acordo com os dados da Sociedade Brasileira de Diabetes.

Esta doença é toda igual?

Não, dentro desta doença podemos encontrar vários tipos distintos, cada um com as suas características, mas existem quatro que são mais comuns. Esses tipos são Diabetes tipo 1, tipo 2, gestacional e pré-diabetes.

Diabetes tipo 1

Neste tipo de diabetes, o corpo “vê” as células produtoras de insulina como uma ameaça, e dessa forma, acaba-as neutralizando. Com o passar do tempo, o corpo deixa de ser capaz de produzir qualquer tipo de insulina útil. A causa desta reação do organismo perante essas células, ainda é desconhecida, mas a boa noticia é que com alguns cuidados, as pessoas que sofrem deste tipo de diabetes conseguem ter uma vida normal. Apesar desta doença aparecer em pessoas de qualquer idade, a taxa de incidência é maior em crianças e jovens adultos.

Para neutralizar os efeitos da doença, o paciente precisa de injeções diárias de insulina. A falta desta hormona no sangue acaba por rapidamente induzir numa condição chamada cetoacidose diabética, a qual é potencialmente fatal. Além de injecões diárias, uma alimentação saudável e um estilo de vida também saudável ajuda a que os pacientes desta doença tenham uma vida completamente normal.

Sintomas de diabetes tipo 1

Esta doença também trás os seguintes sintomas associados, os quais podem ajudar a alertar para a incidência da doença.

  • Sede anormal e boca seca
  • Perda de peso repentina
  • Urinar na cama
  • Urinar frequentemente
  • Fome constante
  • Visão desfocada
  • Perda de energia e fadiga extrema

Por outro lado, a confirmação da doença só pode ser obtido através de um exame médico.

Quem corre o risco de desenvolver Diabetes tipo 1?

As suas causas ainda não são claras, mas atualmente pensa-se que esteja relacionado com alterações climáticas e infeções virais. Como falado anteriormente, a doença aparece em pessoas de qualquer idade, mas tem uma taxa de incidência maior em crianças e jovens adultos.

Diabetes tipo 2

Este é o tipo de diabetes mais comum a nível mundial. Ao contrário das pessoas com diabetes tipo 1, quem sofre com este tipo da doença não necessita de injeções diárias. O corpo dos pacientes da doença produzem insulina, mas com o passar do tempo, começam a tornar-se resistentes a ela. Assim sendo, com a resistência à insulina, ela deixou de ser eficaz, o que também faz, a longo prazo, que os seus níveis se tornem baixos. O conjunto destes dois fatores leva a que o paciente fique com níveis de açúcar altos no sangue.

No caso dos pacientes com diabetes tipo 2, o tratamento passa por uma alimentação adequada, a prática de atividade física, peso corporal controlado e caso seja necessário, medicação para controlar a doença.

Sintomas de diabetes tipo 2

Tal como no tipo 1 de diabetes, o tipo 2 também apresenta alguns sintomas, porém, estes são um pouco diferentes daqueles referidos anteriormente:

  • Urinar excessivamente
  • Cicatrização lenta de feridas e infeções recorrentes
  • Sede excessiva
  • Fome extrema
  • Perda de energia e fadiga extrema
  • Visão desfocada
  • Dormência e formigueiro nas mãos e pés

Devido aos sintomas serem menos evidentes do que os sintomas da diabetes tipo 1, muitas pessoas acabam por viver anos sem sequer diagnosticar a doença.

Quem corre o risco de desenvolver Diabetes tipo 2?

O que leva exatamente ao aparecimento desta doença ainda não é conhecido, mas já foram identificados alguns comportamentos e grupos de risco. Esses são:

  • Peso excessivo
  • Falta de atividade física
  • Envelhecimento
  • Pré‑diabetes, a qual também vou falar em seguida
  • Má nutrição, incluindo elevada ingestão de bebidas açucaradas
  • Histórico familiar de diabetes, principalmente diabetes gestacional

Quase todos estes fatores estão relacionados com o crescimento da urbanização, as mudanças alimentares e o envelhecimento. Estes três fatores que falei agora são causadores de uma má rotina, assim como uma má alimentação e um mau estilo de vida.

Pré-diabetes

Este tipo caracteriza-se por um nível de açúcar no sangue superior ao normal, mas mesmo assim não é alto o suficiente para ser caracterizado como diabetes. Porém, os níveis altos de açúcar no sangue não deixam de ser prejudiciais para o organismo, levando assim a que se desenvolva diabetes tipo 2 e aumento de risco de doenças cardíacas.

Após o médico confirmar que a pessoa em questão sofre de pré-diabetes, esta deve dar especial atenção a alguns dos seus hábitos, e se for o caso, corrigi-los. Dessa forma consegue evitar ou pelo menos retardar o aparecimento de diabetes tipo 2 e outras doenças relacionadas com o excesso de glicose no sangue.

Os hábitos que deve alterar são:

  • Evitar o sedentarismo, praticando atividade física
  • Reduzir o consumo de açúcares
  • Reduzir também o consumo de gorduras
  • Baixar o peso corporal, caso seja necessário (segundo a recomendação do seu médico)
  • Anualmente, realizar testes para controlar a evolução da doença e assim adaptar o estilo de vida conforme o estado da doença

Diabetes gestacional

Cuidado com a diabetes. O melhor remédio é prevenir
Cuidado com a diabetes. O melhor remédio é prevenir

A diabetes gestacional, felizmente, acaba por ser uma condição temporária. Ela caracteriza-se pelo aparecimento da doença normalmente no segundo e terceiro trimestre de gravidez. Ela causa um aumento de glicose no sangue e desaparece com o fim da mesma gravidez.

A parte má desta doença é que ela acaba por colocar em risco a saúde tanto da mãe, como do bebé. Dessa forma, a mãe deve estar sempre com atenção à possível incidência desta doença e seguir os cuidados sugeridos pelo seu médico, até porque segundo dados da Federação Internacional da Diabetes (IDF), no ano de 2018, este tipo de diabetes afetou 1 em cada 7 nascimentos.

Este tipo da diabetes, mesmo desaparecendo no final da gravidez, deixa algumas “marcas” na pessoa, pois ela tem uma maior probabilidade de voltar a desenvolver a doença numa futura gravidez, bem como uma probabilidade maior de vir a desenvolver diabetes tipo 2.

Complicações relacionadas com a diabetes

Todas as complicações são resultado do organismo ficar exposto a grandes quantidades de açúcar no sangue, mais do que aquela que é capaz de suportar. Os órgãos afetados são vários, entre os quais podemos encontrar o cérebro, rins, ou mesmo o coração. A forma em que estes órgãos se vêem afetados tanto pode ser de curta duração (aguda) assim como de longa duração (crónica).

Retinopatia

Esta doença tem como causa a elevada quantidade de açúcar presente no sangue danificar os vasos sanguíneos que alimentam a retina. Dessa forma, a saúde da retina vai-se degradando com o tempo, deteriorando assim a visão ou mesmo provocando a cegueira.

Por outro lado, se esta condição for descoberta numa fase precoce, consegue ser totalmente tratada, evitando assim qualquer tipo de complicação. Por essa razão, as pessoas que sofrem de diabetes devem fazer exames oftalmológicos regularmente.

Doença cardiovascular

Infelizmente, esta é uma das doenças que mais mata em todo o mundo, e uma das suas causas é a diabetes. É inclusive a maior causa de morte entre diabéticos.

Alguns problemas comuns da diabetes, como a hipertensão, o colesterol alto e um nível elevado de glicose no sangue, são alguns dos fatores que aumentam o risco de doença cardiovascular. Assim, a prática de atividade física ajuda a reduzir o risco de doença cardiovascular, pois combate estes fatores acima mencionados.

Hipoglicemia e Hiperglicemia

Pelo facto da insulina no organismo não ser capaz de regular corretamente a quantidade de glicose no sangue, as pessoas que sofrem de diabetes podem tanto sentir hipoglicemia (baixa quantidade de açúcar no sangue), como o oposto, a hiperglicemia (alta quantidade de açúcar no sangue).

Hipoglicemia

No caso da hipoglicemia (nível de açúcar no sangue inferior a 70 mg/dL), deve-se aplicar a “regra dos 15/15”.

Esta regra consiste em ingerir 15 gramas de um hidrato de carbono de rápida absorção e aguardar 15 minutos. No fim desse tempo, voltar a verificar a quantidade de açúcar no sangue. Se o nível de açúcar no sangue continuar baixo, voltar a repetir. Se mesmo assim os sintomas persistirem, contacte o seu médico.
Depois dos níveis estabilizarem, a pessoa em questão deve alimentar-se para evitar uma nova descida do açúcar no sangue.

Hiperglicemia

A hiperglicemia é maioritariamente causada pelas seguintes causas:

  • A pessoa em questão estar doente
  • Stress
  • Falta de atividade física
  • Alimentar-se em demasia
  • Medicação insuficiente

A hiperglicemia pode causar danos nos órgãos, além de deixar o organismo mais susceptível a infeções.

Para estabilizar esta condição, deve-se corrigir a(s) causa(s) que levaram o nível de açúcar a aumentar.

Múltiplas doenças relacionadas com os órgãos (como doença renal)

Estas doenças são causadas danos causados pelo açúcar aos vasos sanguíneos. Assim, a correta alimentação dos órgãos vê-se afetada. Por essa razão, os órgãos podem não funcionar corretamente ou mesmo falharem, o que pode levar à morte.

Como evitar todas as complicações causadas pela diabetes?

Um bom estilo de vida é a melhor maneira de prevenir a diabetes, assim como outras doenças
Um bom estilo de vida é a melhor maneira de prevenir a diabetes, assim como outras doenças

A forma de evitar todas as complicações, como para evitar muitas outras doenças, passa por adaptar a nossa rotina à condição ou doença que nos afete. Assim, deve-se privilegiar um bom estilo de vida e uma alimentação saudável. No caso da diabetes, deve-se também fazer visitas frequentes ao médico, no sentido de fazer exames periódicos para detetar e tratar problemas atempadamente.